segunda-feira, 26 de junho de 2017

Amadureça, cresça e apareça



Quando eu era pequena meu meio irmão mais velho costumava cantar uma música de Vinicius e Toquinho para mim: 

“Menininha do meu coração. Eu só quero você a três palmos do chão. Menininha não cresça mais não, Fique pequenininha na minha canção.” 

Terno e triste, talvez sejamos sempre pequenos quando somos mais jovens, noto que os pais nos vêem pequenos e nós mesmo sendo pais, também tratamos nossos filhos como crianças.
É muito bom ser criança, ver o mundo de uma forma despreocupada, sem tanto filtro, sem medo, sem noção de tempo e espaço. Já fomos mais corajosos e desbravadores, já quisemos tantas coisas...
Lembro com carinho das brincadeiras na rua, de roubar pitanga no caminho para escola, do pastel de camarão na hora do recreio em Paranaguá, dos bilhetinhos, dos cofrinhos cheios de moedas e da festa na hora de contar. Eu tinha uma boneca Feijãozinho, corria para casa depois da escola para ver como ela estava, amava de todo coração. Assistíamos Sitio do Pica Pau Amarelo juntas, sossego interrompido pela mãe que gostava de assustar e se dava ao trabalho de pegar barata morta presa por um fio e pendurar na frente das crianças boquiabertas em frente a TV...sim, isso aconteceu mais de uma vez, era aquela gritaria. Enfim, foram tempos difíceis, mas muito bons, tenho boas lembranças. Mudamos de cidade, estudamos, trabalhamos e volta e meia a criança aflora batendo o pé para fazer algo ou teimando em não fazer o que precisa ser feito. 
Quando eu era criança, eu falava como criança, me vestia como criança, comia como criança, brincava como criança, eu recebia pouca responsabilidade porque não dava conta, a medida que fui crescendo, tudo mudou, não faço mais as mesmas coisas, meus gostos mudaram, meus sonhos são outros, tenho responsabilidades porque agora posso com elas, dou conta e cada vez que supero um obstáculo, aparecem outros maiores e assim vou conquistando. A dificuldade ajuda a forjar o caráter, torna-me mais forte. Superar me dá autoridade sobre as dificuldades e então, quando alguém passa pelo mesmo posso ajudar porque já vivi, já lutei, já venci. O que aconteceria se mesmo crescida continuasse agindo como criança? Teria resultados de criança, não avançaria.
Claro que é muito mais fácil continuar agindo como criança. A criança é dependente, precisa ser atendida, alimentada, servida. A criança não produz seu sustento, não responde pela casa, tem muita criança que nem aprende a arrumar sua bagunça, é espaçosa, descuidada, suja, egoísta, egocêntrica. É criança, deixa para lá. Não! Professores passam sufoco em sala de aula porque os pais não educam seus filhos em casa. Antigamente um olhar dos pais e os filhos sabiam o que deveria ser feito, hoje há pequenos comandando a casa. Vemos uma geração de adultos mimados que ainda querem alguém para trocar suas fraldas e dar papinha na boca, gente que não dá conta nem da própria vida quem dirá de administrar trabalho, casa e família. As adversidades sempre existiram e sempre existirão, a maneira como lidamos com elas é que determinarão o que nos tornaremos. Somos livres para escolher, mas não somos livres das consequências de nossas escolhas.
Crianças competem, adultos cooperam. Crianças dependem, adultos interagem. Crianças aceitam o que vem para elas, adultos vão em busca do que querem. Você é imaturo até se permitir amadurecer, pode durar alguns anos, pode durar uma vida toda, escolha onde quer estar, rompa!

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