quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Nada está tão ruim que não possa piorar



Alguns chamam de inferno astral, outros acham que Deus perdeu sua ficha, outros acreditam na sorte ou a falta dela, outros que nasceram sem a tal estrela mesmo. O fato é que dias ruins sempre hão de existir. O poeta dizia que ostra feliz não faz pérola, ou seja, nada muda quando estamos bem, quando estamos felizes tratamos se saborear cada instante, não dá tempo para mais nada; agora quando o tempo fecha, quando o dinheiro acaba, o amor vai embora, o desemprego bate à porta é hora de se mexer. Insanidade é pensar que fazer sempre a mesma coisa nos levará à resultados diferentes, isso não existe, é contra a lei da natureza. Plante banana e colherá banana, plante maçã e colherá maçã, não plante nada e o que surgirão serão ervas daninhas, estas não precisam de nada para encher o espaço e acabar com o que existe. É a natureza, ações desestruturadas geram destruição, derrota, perdas que geram sentimentos negativos e mais ações negativas, cria-se um circulo vicioso da desgraça. Alguns pessoas dirão que ninguém escolhe ser infeliz, talvez não conscientemente, mas inconscientemente é o que seus atos fazem: auto-sabotagem e imaturidade andam de mãos dadas.
Freud dizia que maturidade é a combinação de três fatores:

1)      Ter a capacidade de olhar para si mesmo e reconhecer o que tem de melhor. Por exemplo, se eu te pedir agora para citar 10 qualidades suas, você é capaz de fazer isso? Autoconhecimento está relacionado com auto-estima e auto-estima nada tem a ver com o gato que se olha no espelho e vê um leão. Gato é gato, leão é leão, gato nunca será leão e leão nunca será gato. Olhe, veja e seja a melhor versão de si mesmo, não se compare com os outros, não queira ser algo além de você mesmo, olhe com cuidado, está tudo aí dentro, encontre o melhor em si e deixe sair.

2)      Reconheça suas fragilidades, ninguém é super-mulher ou super-homem, somos falhos sim.  Todo mundo erra, o erro tem o propósito de nos fazer pensar, de nos desacomodar, nos melhorar. Observe as crianças, já pensou se ao levar o primeiro tombo desistissem de andar? Não, a criança cai e levanta quantas vezes for preciso até conseguir. Acho uma graça como os bebês dão o seu jeito para se movimentar, há os que engatinham, os que se arrastam.
Os quadrúpedes andam em quatro patas e não caem tanto, nós somos bípedes, temos uma base de 38 centímetros para nos segurar, caímos sim, caímos muito, mas nos levantamos e seguimos porque fomos feitos para ir.

3)      Capacidade de rir de si mesmo. Bebês choram quando caem, adultos também podem chorar, claro, cair às vezes machuca, mas quando não machuca por que não rir de si mesmo? Admita que é falho, que é desengonçado, que comete erros, dê uma boa gargalhada e siga em frente, é isso. Muitas vezes ficamos estagnados porque não admitimos que erramos, que falhamos, ficamos teimando com as circunstâncias só que isso não resolve, nunca resolveu, é um atraso, é infantilidade ficar colocando a culpa nos outros, somos o resultados das nossas escolhas e temos que admitir que muitas vezes escolhemos errado e para superar é preciso olhar para vida como ela é, admitir que errou, recuperar-se da queda e seguir.


Não é nada fácil crescer, o mesmo Freud dizia que é preciso manter a criança dentro si. Sim, a criança que se diverte com coisas simples, que dá valor para vida, para os amigos, a criança que ri de si mesma, que chora,mas não desiste, esta criança precisa ser mantida, no mais somos bem crescidinhos para perder o tempo todo, fomos feitos para vencer então se as coisas não estão funcionando do seu jeito é hora de rever seus conceitos, apegue-se ao que é eternos, ao que não se consome com o tempo. Chega de perder, lute  e conquiste!

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Saudade


Gosto desta palavra, acho lindo que não exista em outros idiomas, é coisa nossa isso de achar palavra para querer ficar junto, permanecer. Saudade é trazer conosco quem está longe, é não largar.
Como acontece com filhos que decidem viver em outro estado ou país, as pessoas olham com compaixão e perguntam se os pais sentem saudade do filho que está longe, não entendo a pergunta, como assim SE? 
É filho, como não sentir falta da presença sempre tão cheia de vida, dos papos filosóficos, de compartilhar com ele o dia, não nos apegamos à falta porque entendemos que o filho  não vive para o deleite dos pais, ele tem os seus sonhos, a sua vida, mas é claro que seria bom tê-lo por perto mais tempo.
Há quem sinta saudade do tempo que passou, aquele que sempre repete que naquele tempo é que era bom, as coisas funcionavam, éramos felizes, mas não sabíamos, será que era isso mesmo? Quem tem o costume de reclamar não consegue ver o que há de bom no presente, o tempo passa e depois não adianta dizer que era melhor porque não era, não é e não será. Felicidade não depende da época, do tempo, das circunstâncias, depende do que fazemos com tudo isso. Não fique cultivando melancolia, se agarrando ao que já foi, a vida acontece todos os dias, sempre há tempo de recalcular a rota e seguir novos rumos. Saudade é bom quando nos lembra do valor de quem foi, nos traz alegria por termos tido oportunidade de viver o que vivemos. Saudade boa é aquela que nos motiva, não aquela que nos deixa estagnados.
Acho engraçado observar as despedidas no aeroporto, há quem se desespere, imagino o que acontecia nos tempos de guerra, já pensou se despedir sem saber se voltaria a ver? Pensando melhor, é isso mesmo que acontece, afinal ninguém sabe se voltará, dá uma tristeza pensar em nunca mais. O estranho é pensar que a pessoa que vai pode voltar e não encontrar o que deixou, chora mais quem fica.
Agora pense no que representa ficar. Ir é o desconhecido muitas vezes, as novidades, a adaptação, ficar é manter as coisas no lugar, cuidar do que tem nas mãos, trabalhar, continuar o que o outro deixou, seguir também. Não precisamos de atitudes extremas para dar jeito no que já não andava bem, sempre é tempo de melhorar, fazer diferente, acertar, por que esperar perder para se mexer?
Mexa-se hoje, mude os hábitos, mude os gostos, mude a cor da sala, faça a vida funcionar a seu favor, pare de ficar estagnado no passado, em coisas que não deram certo dez vezes, chega dos mesmos, mude os amigos, o corte do cabelo, mude esta mania de reclamar de tudo, dê uns gritos e faça valer à pena, fugir não muda nada, você pode até ir embora, mas quando voltar tudo estará ali no mesmo lugar. Recentemente mudei, arrumei as caixas com etiquetas para saber o que arrumar primeiro quando a mudança chegasse, acontece que duas caixas ficaram com as etiquetas escondidas. Uma semana depois do move quando terminei de arrumar tudo dei por falta das caixas, procurei e nada então voltei ao lugar da onde tinha saído e lá estavam as duas no meio do caminho, se eu não tivesse voltado talvez encontrassem e despachassem, o fato é que a gente não consegue carregar tudo, nem deve carregar tanta coisa, ficar lambendo as feridas e pensando em quando eramos felizes, a vida segue.

Organize-se e siga da onde parou. O que passou, passou, quem foi, foi, quem ficou, ficou. Quando sentir saudade, alegre-se pelo que deu certo, abandone o que não foi bom e busque o renovo que só pode vir do alto. Ninguém dirige olhando pelo retrovisor, é pare frente que se anda!

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Excesso de bagagem


Sempre complicado arrumar mala, como pessoa precavida que sou, penso no frio, no calor, na chuva, se preciso caminhar muito, se irei à alguma festa, se se se e o que era para ser básico transforma-se num baú. Engraçado abrir a mala em pleno aeroporto para tirar coisas e naquela hora sob pressão fica fácil eliminar o que aparece primeiro.
Aprendemos a estabelecer prioridades, definir o que realmente importa, funciona para o tempo, não funciona para o guarda-roupa. Normalmente uso a regra de tirar duas peças quando compro uma nova, não sou super apegada, gosto de renovar de tempos em tempos, quando gosto uso até o fim, então jogo fora se está ruim ou envio para doação caso ainda possa ser utilizado.
O que nos leva a consumir? Teoricamente deveria ser uma questão de necessidade, temos mais sapatos do que pés e mais vestidos do que dias ensolarados para usá-los. Houve um tempo em que eu comprava enlouquecidamente, tinha peças que nem usava, era realmente um vicio. Fui curada, hoje compro de uma forma consciente, não preciso ter para ser, não entendo quem faz um esforço para usar marcas famosas, aliás, é estranho carregar marcas e ainda ter que pagar por isso. Podíamos falar sobre vaidade e a necessidade exagerada de cuidar da aparência ou do desejo de agregar valor através do uso de peças valiosas, há tantas razões diferentes para uma mesma atitude de acumulação.
Acumulamos objetos, livros, revistas, papéis. Acumulamos roupas, sapatos, bolsas. Acumulamos coisas que não usamos e dentre tantas coisas acumulamos memórias, lembranças e coisas que nunca nos serão úteis de alguma forma. É importante trazer a memória o que traz esperança, o que de bom aconteceu nos dá força para seguir, nos dá confiança para acreditar que se já aconteceu uma vez pode acontecer novamente, porém não devemos viver do que já passou, o passado pertence ao passado, foi, já era. Conheço gente que se separou e ainda usa no nome do ex-marido, quer saber o que ele anda fazendo, agarra-se na mágoa, lembra como se fosse ontém, sofre porque foi traída, foi, ou melhor ainda é porque não larga o mochilão. Acontece com quem trabalhou uma vida toda numa empresa e é despedido, fala do que aconteceu há séculos, conta os mesmos causos, lembra do nome e sobrenome dos colegas. Acontece de tantas formas que às vezes a gente nem percebe que carrega o mundo nas costas, leva para onde for, não descansa, não sossega, não consegue ir muito longe. Sou à favor da durabilidade, relacionamentos precisam de profundidade, cumplicidade, confiança e cooperação é verdade, mas é preciso respeitar o prazo de validade e não ficar cultivando algo que já estragou. Tudo tem seu tempo, sua hora e passa, quando passa deixe ir porque pode ser uma fase de renovo, se tiver que voltar, volta, não precisa segurar, liberte-se do excesso de bagagem, consuma menos, coma menos, beba mais água, respire mais fundo, ria mais, fale menos, pense no que anda pensando e pare de cultivar abóbrinhas, pare de buscar explicação para tudo, pare de ouvir discos riscados, você já conhece os cantores. Aproveite o tempo e faça aquela faxina que vem adiando há tempos, jogue fora sem dó, mas jogue longe para nunca mais encontrar, libere o espaço, novidade precisa de ar fresco, seja simples, conforme-se com a solidão, viva em paz com você mesma antes de querer outro alguém, ninguém fará o que precisa ser feito por você, é a sua vida, o teu propósito. Faça sempre teu melhor, você nunca perderá por isso, no fim das contas você percebe que tanto faz ganhar ou perder, é o caminho que conta.

No aeroporto você paga a taxa de excesso de bagagem e leva o que trouxe a mais, na vida não vale à pena pagar um preço tão alto, liberte-se e viva o que há para você.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

O arco, a flecha e o alvo

Dizem que os filhos são nossos por um tempo determinado, discordo, pois não existe ex-filho ou ex-pai embora pessoas se esquivem da responsabilidade, o filho não deixa de ser filho, nem o pai deixa de ser pai. O privilégio de gera não se restringe aos 9 meses, se não cultivarmos o amor nada nos manterá unidos. Abandonar não é só jogar fora, ignorar também é abandono, há muito filhos órfãos de pais vivos e presentes. O desamor faz estragos profundos e difíceis de curar.

Aprendemos que os filhos não nos pertencem, cada ser único desenvolve-se para seguir o seu caminho e quem sabe um dia ter filhos que farão o mesmo. Aprendemos tantas coisas todos os dias, mas do que vale o conhecimento quando a dor ataca? Do que adiantam explicações quando só o que queremos é um abraço silencioso e muito apertado? Aprendi errando que o amor está mais perto do que se imagina, que não está lá longe entre conquistas maravilhosas, nem dentro da gente porque quem somos nós para servir de parâmetro para qualquer coisa? Amar vai além, é mais profundo, tem a ver com parar de olhar para o próprio umbigo, afinal se cada ser é único e carrega um universo dentro de si, como posso julgar ou me ofender com as atitudes dos outros? Amar é reconhecer que somos diferentes, assumir o que lhe cabe sem excluir os outros, sentir sua dor, estender a mão, dar de si.

Assisti um desenho japonês que fala sobre um rei chamado Lua que não via os outros. Ele queria que todos fossem cegos como ele, odiava pessoas que enxergavam. Ele rouba um olho do neto e o filme todo é a tentativa de roubar o outro para que o pequeno não veja o mundo ao redor, para que não se importe. Sabemos que as pessoas perdem um sentido e desenvolvem outros, o que o filme retrata é a cegueira moral, afetiva. É fácil largar mão dos outros e viver sua vida sem se importar, é fácil trocar de par e encontrar alguém mais interessante, é fácil se encantar com novidades, achar que a felicidade está logo ali mais adiante, isso é correr atrás do vento. Coisas boas vão e vem, o que é bom para mim pode não ser bom para você. Alegria é fruto do amor não depende das circunstâncias, o mundo está um caus e você consegue manter a paz porque sabe que o melhor ainda está por vir. 

Não pertencemos a este mundo, fomos criados para eternidade, logo tudo que vemos vai desaparecer um dia.
Você pode dar tudo que tem para seus filhos, iphone, férias maravilhosas, a melhor escola, curso de idiomas, isso não fará deles pessoas melhores. Conheço adultos esclarecidos que não conseguem dividir o lanche, que correm para chegar primeiro quando há espaço limitado para reunião, que não dão descarga quando usam o banheiro, o que faltou? Mais coisas, mais glamour, mais viagens, mais conhecimento? Não, faltou: amor. Amar é olhar para o lado, entender que não somos donos do mundo.


“Filhos são como flechas na mão do valente.” Salmo 127:4

Fiquei pensando sobre isso, no contexto da época se o valente quisesse atingir um inimigo próximo ele usaria a espada, a flecha era para alvos distantes e para acertá-los era preciso ter braços fortes e atenção. Pense num braço frouxo ou numa pessoa distraída lançando uma flecha, não dá certo. Amar é tratar com firmeza, é tomar a responsabilidade de arqueiro para si e fazer o que precisa ser feito sem mimimi.


Hoje tive o privilégio de lançar minha preciosa flecha bemmm longe e tenho certeza que ela acertará o alvo e você, o que tem feito com o que te foi confiado?

sábado, 5 de agosto de 2017

Aprenda com as tempestades


25 graus em pleno inverno é algo maravilhoso, há quem reclame por não poder desfilar todo charme das botas e casacões, há quem fique feliz com a tropicalidade dos dias, parece que até a natureza estranha e solta flor quando as folhas deveriam estar caindo, a calçada vira um tapete cor de rosa.

Eu amo o calor quando estou na praia, para cidade prefiro frio, não gosto de andar totalmente aquecida, sou calorenta, fico angustiada com muita roupa. O dia ideal para mim é aquele friozinho e com céu azul sem nuvens, mas claro, não há do que reclamar, todos precisamos de chuva de vez em quando. Segundo os livros de ciências, chuvas acontecem quando o ar quente e úmido sobe rapidamente para as áreas mais frias da atmosfera. Em seguida o ar esfria e formam-se as nuvens que depois de cheias precipitam-se.

Quando penso em chuva penso em casa, quando era criança a mãe ficava em casa se chovia e brincávamos todos juntos com massinha colorida feita com farinha e sal, ela costurava roupinhas para as bonecas ou cozinhava algo delicioso, então, gosto da chuva, sinto-me acolhida com o barulho, tenho a sensação de que algo bom irá acontecer, não me importo em molhar o sapato, é como se chegar em casa reservasse algo bom, sinto-me muito bem.

E na vida, o que são tempestades?
Crises acontecem a todo instante, somos seres mimados e tudo que discorda de nós transforma-se em oponente, mas não precisa ser assim. Na família, por exemplo, estamos no mesmo time, por mais que discordemos jogamos do mesmo lado para vencer, não somos adversários. Costumo dizer que a vida seria bem mais simples se houvessem mais mediadores entre nós. Observe que todo vez que algo ruim acontece, temos a necessidade de compartilhar, o problema é que as pessoa não conseguem apenas ouvir, elas tem que dar palpite, colocam mais lenha na fogueira e acabam dando conselhos que pioram a situação, não resolvem. De repente uma pequena rusga transforma-se em crise e vem a tempestade. Da mesma forma circunstâncias acontecem, maus negócios, desemprego, doenças, violências, não podemos controlar, assim como não controlamos a chuva, gastamos uma energia tremenda com coisas que não nos competem, estão além do nosso alcance, respondemos com mais crise e simplesmente não resolve. Discutir com a chuva, xingá-la, maldizê-la resolve? Não. O que resolve? Ficar em casa? Pegar o guarda-chuva e as galochas? 

Perceba que não são as tempestades, é o nosso jeito de reagir a elas. A chuva por si só é algo bom, precisamos de água para sobreviver, da mesma forma as crises forjam nosso caráter, assim como o fogo forja o ouro eliminando as impurezas, as tempestades extraem de nós o que somos. A pergunta é: vamos ficar com as impurezas ou com o metal precioso?

Digo e repito que nada acontece por acaso, há um propósito para tudo que acontece. Responda com maturidade, não fuja do que te cabe, abra os olhos e o coração e encare a chuva, vista algo adequado, coloque um sapato que aguente a situação, use um bom guarda-chuva e vá fazer o que precisa ser feito, não desista dos teus, não desista do propósito para o qual você foi criado, siga em frente.

Sem tempestade não há bonança. Lute!

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Melhor ser dois que um

Algumas coisas que funcionam melhor juntas: bife e batata frita, cinema e pipoca, pão e manteiga, café e leite, queijo e goiabada, arroz e feijão. Nos palcos certas duplas eram imbatíveis. Tanto que mesmo seguindo carreiras separados sempre serão lembrados pela dupla que faziam com seus parceiros: Batman e Robin, Romeu e Julieta, o Gordo e o Magro. Todos tinham suas diferenças pessoais, a perfeição existe somente para fazer bonito no espetáculo. Lembro de uma dupla sertaneja muito famosa composta por irmãos que vivia se desentendendo, estava tudo bem até um deles ter um piti nos bastidores em dia de estréia...não entrou e o par teve que se desculpar sozinho no palco. Egoísmo faz isso, todo mundo tem seus dias ruins, mas o artista vive da imagem, os fãs pagam para ver a dupla, que pese mais a consideração pelos outros do que seu próprio interesse, isso é maturidade.

Combinar quer dizer
condizer; ajustar, harmonizar. Estabelecer uma ação, uma resolução com que outrem concorda.

O ditado popular diz que o combinado não sai caro. Acordo requer negociação e negociar requer conhecimento de seus próprios objetivos, afinal se não sabemos onde queremos chegar qualquer caminho serve. Por exemplo, uma empresa visa lucro e para obter precisa de clientes, logo o cliente é o que há de mais importante. A empresa fará de tudo para satisfazer seu cliente, superar suas expectativas e manter seu interesse. Se o cliente pede algo fora do padrão há duas alternativas: dispensar o cliente para que vá procurar o que precisa em outro lugar ou adaptar-se a necessidade do cliente e atendê-lo. Tudo depende da onde a empresa quer chegar, qual o valor daquele cliente, qual a repercussão daquele negócio, qual o peso das conseqüências. Vale à pena mudar?
Fábio Junior que me perdoe, mas falando em relacionamentos, alma gêmea não existe. Ninguém é metade da laranja de ninguém, não está faltando tampa na panela. Duplas perfeitas acontecem nas telas e mesmo assim perceba que não é para sempre, as histórias acabam, vem outras duplas, outros príncipes, outras princesas porque as pessoas perdem o interesse e neste caso o negócio do cinema é fazer seus clientes consumirem personagens, histórias, sonhos. Acorda que você não é nenhuma Cinderela. É melhor ser dois que um. Pares funcionam quando reconhecem que não são perfeitos, cada ser é único e existe para cumprir um propósito. Você pode até fugir da sua missão, mas sua missão não fugirá de você. Quando convivemos refletimos o que somos no outro, pode ser bom ou ruim, mas não deixa de ser nós.
Cooperação é a palavra. O cordão com três dobras não se rebenta com facilidade. Pare de por a culpa nos outros, nas circunstancias e comece a ser a melhor versão de você mesmo. Hoje! 


segunda-feira, 17 de julho de 2017

Sobre viver

“A vida é muito curta para ser pequena”. 
Benjamin Disraeli


Eu amo meu trabalho, mas acordar de férias numa segunda-feira ensolarada e ir para o parque caminhar não tem preço! Ergo as mãos para o céu, que privilégio! Naquele exato momento muitas pessoas ainda estavam dormindo, outras nem notaram que o céu estava escandalosamente azul porque trabalham fechadas entre quatro paredes, há pessoas confinadas em hospitais, pessoas que gostariam de estar fora da cama, mas não podem, há quem simplesmente não despertou porque partiu. Viver pode ser tanta coisa, que alegria poder respirar satisfeitamente e não precisar de absolutamente nada para se sentir feliz.
Outro dia fomos ao Passeio Público de Curitiba. O lugar já viveu dias de glória, hoje conta com uma natureza pálida, não há mais bichos e as poucas aves parecem empalhadas de tão quietas, é um parque bonito, apesar de semi-abandonado. Policiais e andarilhos sem teto convivem pacificamente, senti certo receio, mas nada de mau aconteceu. Pessoas ainda usam o pedalinho no lago encardido e cheio de folhas, diversão tão simples, para quem vem de fora o fato de estar na capital já é motivo de grande alegria. Senti-me uma estrangeira fora de contexto. Pavões e araras multicoloridas lembram os visitantes que Deus é criativo e está em todo lugar. Talvez, para muitos visitantes aquele é o lugar mais bonito em que estiveram, talvez seja o único lugar que visitarão este ano. A felicidade, quando está dentro, vai contigo onde for e é tão bom!

Falando sobre viagem, dizem que se a gente volta do mesmo que foi é porque não foi de verdade ou nem deveria ter ido. Esta é uma das razões pelas quais amo fotografia, através dela passamos a observar o belo em qualquer situação, é um ótimo exercício para quem não consegue se conectar com o lugar onde está. Pare um instante, observe e perceba que a beleza está em todo lugar. Depois de tantas viagens no sentido existencial da expressão, sinto-me nova em folha. Eu creio que haja um propósito para tudo que acontece, creio que somos melhores que nossas más escolhas, creio em segunda chance, em terceira chance, creio que sempre há chance para quem reconhece que está no caminho errado e quer mudar, lembrando que mudança é processo, disciplina, decisão de todo dia.


Há um propósito para vida de cada um. O mundo sofre, não podemos desperdiçar a vida reclamando do que não temos, olhando a grama do vizinho e achando que é mais verde quando às vezes é mesmo, mas é porque ele cuida, dá trabalho SER. A vida é curta demais para desperdiçarmos com comparações, eu não preciso ser melhor que os outros, eu preciso sim ser a melhor versão de mim mesma independente das circunstancias, afinal viver é muito mais do que sobreviver. Mário Quintana pediu para escreverem em sua lápide “Eu não estou aqui”, nós também não estaremos. Que possamos investir nossa vida no que vai além do que podemos ver e ter, que o nosso coração esteja firmado no que é eterno.