sábado, 5 de agosto de 2017

Aprenda com as tempestades


25 graus em pleno inverno é algo maravilhoso, há quem reclame por não poder desfilar todo charme das botas e casacões, há quem fique feliz com a tropicalidade dos dias, parece que até a natureza estranha e solta flor quando as folhas deveriam estar caindo, a calçada vira um tapete cor de rosa.

Eu amo o calor quando estou na praia, para cidade prefiro frio, não gosto de andar totalmente aquecida, sou calorenta, fico angustiada com muita roupa. O dia ideal para mim é aquele friozinho e com céu azul sem nuvens, mas claro, não há do que reclamar, todos precisamos de chuva de vez em quando. Segundo os livros de ciências, chuvas acontecem quando o ar quente e úmido sobe rapidamente para as áreas mais frias da atmosfera. Em seguida o ar esfria e formam-se as nuvens que depois de cheias precipitam-se.

Quando penso em chuva penso em casa, quando era criança a mãe ficava em casa se chovia e brincávamos todos juntos com massinha colorida feita com farinha e sal, ela costurava roupinhas para as bonecas ou cozinhava algo delicioso, então, gosto da chuva, sinto-me acolhida com o barulho, tenho a sensação de que algo bom irá acontecer, não me importo em molhar o sapato, é como se chegar em casa reservasse algo bom, sinto-me muito bem.

E na vida, o que são tempestades?
Crises acontecem a todo instante, somos seres mimados e tudo que discorda de nós transforma-se em oponente, mas não precisa ser assim. Na família, por exemplo, estamos no mesmo time, por mais que discordemos jogamos do mesmo lado para vencer, não somos adversários. Costumo dizer que a vida seria bem mais simples se houvessem mais mediadores entre nós. Observe que todo vez que algo ruim acontece, temos a necessidade de compartilhar, o problema é que as pessoa não conseguem apenas ouvir, elas tem que dar palpite, colocam mais lenha na fogueira e acabam dando conselhos que pioram a situação, não resolvem. De repente uma pequena rusga transforma-se em crise e vem a tempestade. Da mesma forma circunstâncias acontecem, maus negócios, desemprego, doenças, violências, não podemos controlar, assim como não controlamos a chuva, gastamos uma energia tremenda com coisas que não nos competem, estão além do nosso alcance, respondemos com mais crise e simplesmente não resolve. Discutir com a chuva, xingá-la, maldizê-la resolve? Não. O que resolve? Ficar em casa? Pegar o guarda-chuva e as galochas? 

Perceba que não são as tempestades, é o nosso jeito de reagir a elas. A chuva por si só é algo bom, precisamos de água para sobreviver, da mesma forma as crises forjam nosso caráter, assim como o fogo forja o ouro eliminando as impurezas, as tempestades extraem de nós o que somos. A pergunta é: vamos ficar com as impurezas ou com o metal precioso?

Digo e repito que nada acontece por acaso, há um propósito para tudo que acontece. Responda com maturidade, não fuja do que te cabe, abra os olhos e o coração e encare a chuva, vista algo adequado, coloque um sapato que aguente a situação, use um bom guarda-chuva e vá fazer o que precisa ser feito, não desista dos teus, não desista do propósito para o qual você foi criado, siga em frente.

Sem tempestade não há bonança. Lute!

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Melhor ser dois que um

Algumas coisas que funcionam melhor juntas: bife e batata frita, cinema e pipoca, pão e manteiga, café e leite, queijo e goiabada, arroz e feijão. Nos palcos certas duplas eram imbatíveis. Tanto que mesmo seguindo carreiras separados sempre serão lembrados pela dupla que faziam com seus parceiros: Batman e Robin, Romeu e Julieta, o Gordo e o Magro. Todos tinham suas diferenças pessoais, a perfeição existe somente para fazer bonito no espetáculo. Lembro de uma dupla sertaneja muito famosa composta por irmãos que vivia se desentendendo, estava tudo bem até um deles ter um piti nos bastidores em dia de estréia...não entrou e o par teve que se desculpar sozinho no palco. Egoísmo faz isso, todo mundo tem seus dias ruins, mas o artista vive da imagem, os fãs pagam para ver a dupla, que pese mais a consideração pelos outros do que seu próprio interesse, isso é maturidade.

Combinar quer dizer
condizer; ajustar, harmonizar. Estabelecer uma ação, uma resolução com que outrem concorda.

O ditado popular diz que o combinado não sai caro. Acordo requer negociação e negociar requer conhecimento de seus próprios objetivos, afinal se não sabemos onde queremos chegar qualquer caminho serve. Por exemplo, uma empresa visa lucro e para obter precisa de clientes, logo o cliente é o que há de mais importante. A empresa fará de tudo para satisfazer seu cliente, superar suas expectativas e manter seu interesse. Se o cliente pede algo fora do padrão há duas alternativas: dispensar o cliente para que vá procurar o que precisa em outro lugar ou adaptar-se a necessidade do cliente e atendê-lo. Tudo depende da onde a empresa quer chegar, qual o valor daquele cliente, qual a repercussão daquele negócio, qual o peso das conseqüências. Vale à pena mudar?
Fábio Junior que me perdoe, mas falando em relacionamentos, alma gêmea não existe. Ninguém é metade da laranja de ninguém, não está faltando tampa na panela. Duplas perfeitas acontecem nas telas e mesmo assim perceba que não é para sempre, as histórias acabam, vem outras duplas, outros príncipes, outras princesas porque as pessoas perdem o interesse e neste caso o negócio do cinema é fazer seus clientes consumirem personagens, histórias, sonhos. Acorda que você não é nenhuma Cinderela. É melhor ser dois que um. Pares funcionam quando reconhecem que não são perfeitos, cada ser é único e existe para cumprir um propósito. Você pode até fugir da sua missão, mas sua missão não fugirá de você. Quando convivemos refletimos o que somos no outro, pode ser bom ou ruim, mas não deixa de ser nós.
Cooperação é a palavra. O cordão com três dobras não se rebenta com facilidade. Pare de por a culpa nos outros, nas circunstancias e comece a ser a melhor versão de você mesmo. Hoje! 


segunda-feira, 17 de julho de 2017

Sobre viver

“A vida é muito curta para ser pequena”. 
Benjamin Disraeli


Eu amo meu trabalho, mas acordar de férias numa segunda-feira ensolarada e ir para o parque caminhar não tem preço! Ergo as mãos para o céu, que privilégio! Naquele exato momento muitas pessoas ainda estavam dormindo, outras nem notaram que o céu estava escandalosamente azul porque trabalham fechadas entre quatro paredes, há pessoas confinadas em hospitais, pessoas que gostariam de estar fora da cama, mas não podem, há quem simplesmente não despertou porque partiu. Viver pode ser tanta coisa, que alegria poder respirar satisfeitamente e não precisar de absolutamente nada para se sentir feliz.
Outro dia fomos ao Passeio Público de Curitiba. O lugar já viveu dias de glória, hoje conta com uma natureza pálida, não há mais bichos e as poucas aves parecem empalhadas de tão quietas, é um parque bonito, apesar de semi-abandonado. Policiais e andarilhos sem teto convivem pacificamente, senti certo receio, mas nada de mau aconteceu. Pessoas ainda usam o pedalinho no lago encardido e cheio de folhas, diversão tão simples, para quem vem de fora o fato de estar na capital já é motivo de grande alegria. Senti-me uma estrangeira fora de contexto. Pavões e araras multicoloridas lembram os visitantes que Deus é criativo e está em todo lugar. Talvez, para muitos visitantes aquele é o lugar mais bonito em que estiveram, talvez seja o único lugar que visitarão este ano. A felicidade, quando está dentro, vai contigo onde for e é tão bom!

Falando sobre viagem, dizem que se a gente volta do mesmo que foi é porque não foi de verdade ou nem deveria ter ido. Esta é uma das razões pelas quais amo fotografia, através dela passamos a observar o belo em qualquer situação, é um ótimo exercício para quem não consegue se conectar com o lugar onde está. Pare um instante, observe e perceba que a beleza está em todo lugar. Depois de tantas viagens no sentido existencial da expressão, sinto-me nova em folha. Eu creio que haja um propósito para tudo que acontece, creio que somos melhores que nossas más escolhas, creio em segunda chance, em terceira chance, creio que sempre há chance para quem reconhece que está no caminho errado e quer mudar, lembrando que mudança é processo, disciplina, decisão de todo dia.


Há um propósito para vida de cada um. O mundo sofre, não podemos desperdiçar a vida reclamando do que não temos, olhando a grama do vizinho e achando que é mais verde quando às vezes é mesmo, mas é porque ele cuida, dá trabalho SER. A vida é curta demais para desperdiçarmos com comparações, eu não preciso ser melhor que os outros, eu preciso sim ser a melhor versão de mim mesma independente das circunstancias, afinal viver é muito mais do que sobreviver. Mário Quintana pediu para escreverem em sua lápide “Eu não estou aqui”, nós também não estaremos. Que possamos investir nossa vida no que vai além do que podemos ver e ter, que o nosso coração esteja firmado no que é eterno. 

domingo, 2 de julho de 2017

O ilustre desconhecido



Tudo que o homem não conhece não existe para ele. 
Por isso o mundo tem, para cada um, 
o tamanho que abrange o seu conhecimento."
(Carlos Bernardo G. Pecotche)

Sou apaixonada pela palavra, a palavra tem o poder de inspirar, de nos fazer pensar, aliás, se você lê e não pensa sobre o que leu, pare de ler e vá fazer outra coisa.
Palavra sem pensamento é vazia e pensamento sem atitude também. O conhecimento por si só é informação se não atingir o âmago do ser, se não entrar como flecha e ficar martelando como martelo. Num mundo onde tudo é informação, saber vale ouro, mas saber para que?

O excesso de informação torna-nos ávidos consumidores de tudo que se apresenta nas mídias, mas pense comigo, quando alguém te procura para contar que está com câncer, quando um casal amigo se separa, quando alguém perde um parente querido num acidente, de que adiantam os livros, as horas de aula, os debates inflamados sobre política se nada te consola na hora da dor?

Sabedoria vem do latim sapere que quer dizer sabor, gosto, é a condição de quem tem conhecimento, erudição. No grego sofia quer dizer saber, qualidade que dá sensatez, prudência, moderação, ou seja, nada tem a ver com pilhas de livros e horas aula. É óbvio que o conhecimento pode abrir a mente, o ponto em que quero chegar vai um pouco além: o desconhecido, aquilo que não conhecemos está mais perto do que imaginamos.

Normalmente agimos de forma automática, não sei em que fase da vida se altera, mas a impressão que tenho é que em um determinado tempo a percepção muda e quando acordo parece que nem dormi, quando entro no trabalho parece que nem saí, quando volto para casa parece que estou sempre chegando, se não faço de uma vez o que precisa ser feito acaba passando e quando vi foi-se o dia, o mês, chegamos a metade do ano e já estou pensando no Natal. É tanta ocupação que meus pensamentos passam despercebidos, não sei o que sinto com tudo isso, só sei que está passando depressa demais, que preciso ver como estou, mas que horas?

Aprendemos a definir valores e estabelecer prioridades, ser excelentes em tudo que nos propomos fazer, ajudar os desprovidos, ensinar as crianças, mas e o “eu”?
Muitas vezes a busca desenfreada por conhecimento, por respostas é justamente a falta de conhecimento de si mesmo. É muito mais fácil buscar fora, comprar um livro ou uma revista, assistir um filme, ouvir uma palestra, estudar uma apostila, conversar com um terapeuta, navegar anônimo na internet do que silenciar e ouvir a si mesmo. Tenho tentado me exercitar e confesso que aquietar me entedia, canto, repito uma prece, mas em silêncio mesmo é quase impossível ficar. Não digo para esvaziar a mente, afinal mente vazia, oficina do diabo já dizia minha vó. Aquietar não é esvaziar, aquietar é tornar quieta, parar de fazer barulho, de se distrair. Aquietar-se é entrar em contato consigo mesmo e porque não dizer com o Deus que nos fez.
Para ouvir é preciso calar. Quanto tempo você passa ouvindo?

Amo a palavra, foi pelo verbo que tudo se fez, mas há momentos que é preciso aquietar e buscar este ilustre desconhecido que chamam de EU.
Você conhece tanta coisa, sabe falar outros idiomas, já visitou meio mundo, tem milhares de seguidores nas redes sociais, mas quem é você quando ninguém está olhando? Se tirassem seus títulos o que restaria? Se perdesse este nome importante? Você não é seu nome, você não é sua profissão, você não é o que possui, você não é o que o mundo diz sobre você. 
Antes de tudo, desvende ESTE desconhecido. Em caso de dúvida, leia o manual e/ou consulte o fabricante.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Amadureça, cresça e apareça



Quando eu era pequena meu meio irmão mais velho costumava cantar uma música de Vinicius e Toquinho para mim: 

“Menininha do meu coração. Eu só quero você a três palmos do chão. Menininha não cresça mais não, Fique pequenininha na minha canção.” 

Terno e triste, talvez sejamos sempre pequenos quando somos mais jovens, noto que os pais nos vêem pequenos e nós mesmo sendo pais, também tratamos nossos filhos como crianças.
É muito bom ser criança, ver o mundo de uma forma despreocupada, sem tanto filtro, sem medo, sem noção de tempo e espaço. Já fomos mais corajosos e desbravadores, já quisemos tantas coisas...
Lembro com carinho das brincadeiras na rua, de roubar pitanga no caminho para escola, do pastel de camarão na hora do recreio em Paranaguá, dos bilhetinhos, dos cofrinhos cheios de moedas e da festa na hora de contar. Eu tinha uma boneca Feijãozinho, corria para casa depois da escola para ver como ela estava, amava de todo coração. Assistíamos Sitio do Pica Pau Amarelo juntas, sossego interrompido pela mãe que gostava de assustar e se dava ao trabalho de pegar barata morta presa por um fio e pendurar na frente das crianças boquiabertas em frente a TV...sim, isso aconteceu mais de uma vez, era aquela gritaria. Enfim, foram tempos difíceis, mas muito bons, tenho boas lembranças. Mudamos de cidade, estudamos, trabalhamos e volta e meia a criança aflora batendo o pé para fazer algo ou teimando em não fazer o que precisa ser feito. 
Quando eu era criança, eu falava como criança, me vestia como criança, comia como criança, brincava como criança, eu recebia pouca responsabilidade porque não dava conta, a medida que fui crescendo, tudo mudou, não faço mais as mesmas coisas, meus gostos mudaram, meus sonhos são outros, tenho responsabilidades porque agora posso com elas, dou conta e cada vez que supero um obstáculo, aparecem outros maiores e assim vou conquistando. A dificuldade ajuda a forjar o caráter, torna-me mais forte. Superar me dá autoridade sobre as dificuldades e então, quando alguém passa pelo mesmo posso ajudar porque já vivi, já lutei, já venci. O que aconteceria se mesmo crescida continuasse agindo como criança? Teria resultados de criança, não avançaria.
Claro que é muito mais fácil continuar agindo como criança. A criança é dependente, precisa ser atendida, alimentada, servida. A criança não produz seu sustento, não responde pela casa, tem muita criança que nem aprende a arrumar sua bagunça, é espaçosa, descuidada, suja, egoísta, egocêntrica. É criança, deixa para lá. Não! Professores passam sufoco em sala de aula porque os pais não educam seus filhos em casa. Antigamente um olhar dos pais e os filhos sabiam o que deveria ser feito, hoje há pequenos comandando a casa. Vemos uma geração de adultos mimados que ainda querem alguém para trocar suas fraldas e dar papinha na boca, gente que não dá conta nem da própria vida quem dirá de administrar trabalho, casa e família. As adversidades sempre existiram e sempre existirão, a maneira como lidamos com elas é que determinarão o que nos tornaremos. Somos livres para escolher, mas não somos livres das consequências de nossas escolhas.
Crianças competem, adultos cooperam. Crianças dependem, adultos interagem. Crianças aceitam o que vem para elas, adultos vão em busca do que querem. Você é imaturo até se permitir amadurecer, pode durar alguns anos, pode durar uma vida toda, escolha onde quer estar, rompa!

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Pare de procurar o que já te encontrou


Hoje havia um trânsito diferente nas ruas, as pessoas estavam distraídas, os motoqueiros estavam mais nervosos e carregados, havia pétalas de rosas vermelhas na calçada. O anúncio dizia para demonstrar amor gastando, acredito que esteja certo, mas não precisa gastar com flor, bombom, presente.
Gaste, pare de se economizar e gaste-se!
Amor é decisão de todo dia, sentimento é algo efêmero que passa como bombom. Sentimento varia a cada dia, decisão é atitude e amar requer ação. Não basta dizer eu te amo, nem espalhar corações vermelhos pelo caminho, celebrar uma vez por ano, amar se aprende amando e para amar não precisa ter par, comece amando a si mesmo, depois olhe ao redor, há toda uma vida para ser amada. Ame viver, ame tudo ao redor e um pouco mais além, quando menos esperar, quanto menos procurar o amor te encontra e devolve o que você espalhou.


“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine.
Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, mas não tiver amor, nada serei.
Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, mas não tiver amor, nada disso me valerá.
O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.
Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor.
O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor nunca perece; mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará.
Pois em parte conhecemos e em parte profetizamos;
quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá.
Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.
Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido.
Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor.

1 Coríntios 13:1-13

Que palavra! Nem dá para imaginar o tamanho, a estatura, o peso, a forma, mas quero!
Quero hoje, quero para mim e para você algo que não passará, que nos levará a plenitude e isso não se alcança pela metade. Há apenas um caminho. Se você quer, peça e receberá, bata e a porta de abrirá.

Todo dia é dia de amar, pare de procurar o que já te encontrou.

domingo, 7 de maio de 2017

Sobre uvas e raposas


Uma raposa que vinha pela estrada encontrou uma parreira com uvas madurinhas. Passou horas pulando tentando pegá-las, mas sem sucesso algum... Saiu murmurando, dizendo que não as queria mesmo, porque estavam verdes. Quando já estava indo, um pouco mais à frente, escutou um barulho como se alguma coisa tivesse caído no chão... voltou correndo pensando ser as uvas, mas quando chegou lá, para sua decepção, era apenas uma folha que havia caído da parreira. A raposa decepcionada virou as costas e foi-se embora de novo.
Fábula de Esopo, reescrita por La Fontaine.
Moral da história: Aqueles que são incapazes de atingir uma meta tendem a depreciá-la, para diminuir o peso de seu insucesso.

Não existe sucesso sem trabalho, porém, às vezes você se mata de trabalhar e mesmo assim o resultado não aparece. 

Primeiramente, o que é sucesso?
Dinheiro, posses, bens, viagens, amigos, diplomas, títulos? Uma crise, um assalto e foi-se o que te fazia importante. TER não é sucesso porque pode ser tirado de você a qualquer momento. SER ficará contigo independente de onde ou como estiver, SER permanece. Então se encontramos o propósito para o qual fomos criados, se permanecemos nele teremos sucesso porque felicidade não é um lugar para chegar, felicidade é o próprio caminho.
Querer ter a vista do topo sem ter subido a montanha é impossível.
Você pode ver uma foto, pode ouvir o que os outros contam, mas se quiser realmente saber como é, precisa preparar as pernas, ajustar o folego, dar um passo de cada vez e não desistir no primeiro escorregão, na primeira pedra no caminho, no primeiro tombo. Se realmente quer ver a vista lá de cima precisa caminhar sem desistir, se esforçar e prosseguir. Subidas, mesmo as leves, são cansativas. Há quem não faça o esforço e fique falando mal da conquista alheia, é mais fácil desdenhar do que se esforçar. SER dá trabalho.
Cobiçar é querer o que outro tem. 
Invejar é não querer que o outro tenha.
São sentimentos menores que nada acrescentam, só tiram-nos o foco. 

Você sabe qual é o seu objetivo?
Olhar para o que os outros tem e são te leva para mais perto do que você quer? Diminuir os outros te torna maior? Tenho uma amiga que sempre brinca quando oferece doce para alguém, diz que é sua estratégia para parecer mais magra, engordar os outros ao redor. É uma piada. Simplesmente não funciona. Vivemos em comunidade, nos conhecemos melhor convivendo, mas temos que dar conta de nós mesmos, parar de desfazer do que não conseguimos alcançar, parar de cobiçar o que não nos pertence, parar de invejar os outros e olhar para nosso alvo.
O que posso fazer hoje para caminhar em direção ao que quero?
Olhar para os problemas bloqueia ideias, nos paralisa. Respire fundo algumas vezes, tome alguma distância e comece a pensar em alternativas para alcançar as uvas mais maduras, malhe as pernas para saltar mais alto, escale o tronco, construa uma escada, arranje uma vara para derrubar as frutas, chacoalhe a árvore, enfim, aja, não desista, se você realmente quiser, você conseguirá e se não conseguir pelo menos ficará satisfeito por ter dado o melhor de si.